**ARTIGOS
EM portugués
Rodrigue Tremblay: autor
de próximo livro intitula-se "The Code for Global Ethics"
www.TheCodeForGlobalEthics.com
5.
Estamos em plena estagnação económica
da geração “Baby-Boom” de 2007-2017
De
acordo com as declarações governamentais, repetidas irresponsavelmente
pelos media do sistema, se hoje o mundo está mergulhado numa crise
profunda, amanhã já vêem sinais de
recuperação para no dia seguinte regressarem à crise mais
profunda do que esperavam.
Rodrigue
Tremblay, apesar de não pôr em causa o sistema capitalista,
diz-nos por que razões não se deve ter esperanças de uma
recuperação a médio prazo.
Rodrigue
Tremblay* - 23.07.09
«Os
bancos são mais perigosos do que exércitos permanentes»
Thomas
Jefferson (1743-1826), III Presidente dos EUA
«…uma
grande recessão parece improvável; [estamos à espera] que
o sector financeiro recupere na próxima primavera e melhore no
Outono»
Sociedade
Económica de Harvard, 10 de Novembro, 1929
«Apesar
do crash ter ocorrido há apenas seis meses, estou convencido que
já passámos o pior – e com uma contínua união
de esforços deveremos recuperar rapidamente. Não houve nenhuma
falha significativa na banca ou na indústria. Também esse
problema está seguramente ultrapassado.»
Presidente
Herbert Hoover, 1 de Maio de 1930
«Num
sistema monetário assente no papel-moeda, um determinado governo pode
sempre originar consumo mais elevado e, a partir daqui, inflação
positiva»
Ben
Bernanke, Presidente da Reserva Federal, 2002
Muitos
observadores são da opinião de que a «prosperidade
está ali ao virar da esquina» e que esta recessão, como
outras desde a II Guerra Mundial, terminará logo que o mercado das
acções, como indicador fundamental, recupere e as pessoas comecem
novamente a consumir. Esta é uma perspectiva míope do panorama
económico actual.
Na verdade,
desde o auge da bolha imobiliária (nos EUA) em 2005, a crise do subprime
em Agosto de 2007 e o princípio da recessão em Dezembro de 2007,
a economia dos EUA, e até um certo ponto, mundial, entrou num
período de prolongados reajustes. Claro que haverá
períodos de crescimento económico no futuro e poderá
dizer-se, nos meses mais próximos, que a recessão oficialmente
terminou, mas a radical reorganização económica que está
a ter lugar continuará durante anos.
Por que
razão isto é assim?
Essencialmente
porque estamos no culminar de um ciclo de Kondratieff de 60 anos de
inflação-desinflação-deflação que
começou em 1949, quando os preços congelados pela guerra foram
liberalizados; e esse poderoso ciclo longo está agora a terminar. A era que
se seguiu aos anos 1980, ou seja, a era Reagan, acabou, mas os excessos e
bolhas das últimas décadas têm que ser corrigidos, num
momento em que grandes mudanças têm lugar na
população. Tais ajustes levarão anos a desenvolver-se e
isto implicará grandes esforços e grandes mudanças.
Efectivamente,
a era do excesso de consumo e do excesso de dívida terminou. A era da
excessiva desestruturação económica governamental e da
desregulação financeira terminou. A era dos esquemas financeiros
irresponsáveis à maneira de Charles Ponzi terminou. A era dos
derivados não regulados terminou. A era da ganância enquanto
ideologia terminou. A era do capitalismo selvagem e predatório terminou.
A era do petróleo barato, do transporte barato, dos bens baratos e da
comida barata terminou. A era da concentração excessiva de
riqueza e rendimento também terminou. Todavia, a era da
corrupção política, dos políticos incompetentes e
das guerras de agressão destruidoras não terminou. O que
começou foi a era da hiper-estagflação.
A principal
força motriz por trás da maioria destes desenvolvimentos, para
além do colapso do sector financeiro, da pirâmide de
dívidas, da estrutura de produtos derivados e do discurso imponderado de
maiores guerras por parte de políticos irresponsáveis (como se
não houvesse problemas suficientes), será de natureza
demográfica. Com efeito, entrámos num período durante o
qual o maior grupo demográfico da história da humanidade, a
geração «baby-boom» do pós-Segunda Guerra
Mundial, ultrapassou o seu nível máximo de consumo. Isto
não é algo que possa ser invertido da noite para o dia.
Será um processo de reajuste que durará uma década, de
menor gasto, de maior poupança e, acima de tudo, do pagamento dos
excessos de dívidas. Recordemos que o consumo privado representa 70% do
PIB.
As
consequências económicas serão profundas e afectarão
todos os sectores da economia. Temos apenas que considerar o modo como a
indústria automóvel, em tempos um dos principais motores do
crescimento económico, atravessa neste momento uma
reorganização fundamental e redução. Mesmo as
indústrias informatizadas em larga escala progrediram e já
não podem ser consideradas indústrias em rápido
crescimento. Os únicos sectores de potencial crescimento que restam nos
EUA parecem ser a indústria dos serviços de saúde, dado o
envelhecimento da população, e as indústrias relacionadas
com a guerra, uma vez que o complexo industrial-militar norte-americano
continua em expansão. Mas mesmo estes sectores terão que
abrandar, não vão eles levar toda a economia à bancarrota.
É por
isso que penso que estas tendências industriais e demográficas
anunciam um período de crescimento económico mais lento que
poderá durar muitos anos. É melhor que os governos despertem para
os desafios colocados por um crescimento económico tão lento.
Muito poucas pessoas estão preparadas para um período tão
longo de estagnação económica, que será acompanhado
por liquidação de dívidas forçada, em ambiente de
austeridade. Isto aplica-se particularmente aos planos de reforma privados, que
terão dificuldade em pagar pensões nos próximos anos.
Também se aplica ao emprego, que irá crescer a um ritmo mais
lento que a população activa, pelo menos durante algum tempo,
resultando numa subida da taxa de desemprego.
Os
«baby-boomers» são os indivíduos que nasceram entre
1946 e 1966. Por constituírem um vasto número (mais de 70
milhões de pessoas nos EUA), esta geração tem dominado em
todas as esferas da vida nos últimos cinquenta anos. Mas agora
ultrapassaram já o seu nível máximo de consumo. Este
ocorreu em 2005-2006, em pleno auge da bolha imobiliária. A média
etária daquele grupo demográfico era então 50 anos, que
é a idade de maior consumo. Nessa altura, a taxa de poupança
privada nos EUA desceu uns alarmantes 2,5% por ano. Como
comparação, era 12,5% durante a recessão de 1981-82,
recuperou agora uns fenomenais 5,7% em Abril de 2009 e está a subir
rapidamente.
Com efeito, o
fim da bolha imobiliária, a crise financeira e a recessão
económica em conjunto deram um sinal claro aos «baby-boomers».
É melhor que comecem a poupar rapidamente, ou a vossa reforma
terá que ser adiada. E poupar significa consumir menos e gastar menos
dinheiro, enquanto se saldam dívidas de modo a fazer subir os activos
correntes a um nível que possa suportar as necessidades da reforma. Mas
se o maior grupo de consumidores diminuir os seus gastos e empréstimos,
o que é que isto significa para o consumo agregado e para o crescimento
económico? Apenas poderá significar menor crescimento económico
global e alguns penosos ajustes económicos. Por conseguinte, há
uma probabilidade elevada de que esta recessão seja uma recessão
enorme cujos efeitos poderão durar anos, interrompidos por curtos
períodos de recuperação rapidamente seguidos por um
regresso das causas da estagnação. No Japão, em meados dos
anos 1990, uma recessão igualmente causada por aspectos financeiros e
demográficos durou uma década inteira. E mesmo depois de 20 anos,
não se pode dizer que o Japão tenha resolvido o problema.
A curto
prazo, de modo a contrariar os efeitos da crise financeira e combater a
corrente recessão que começou oficialmente em Dezembro de 2007
(de acordo com o National Bureau of Economic Research - NBER), a
administração Obama concebeu um plano de estímulo de 750
mil milhões de dólares e deixou o deficit fiscal explodir para
mais de 2 triliões de dólares por ano devido ao bailout dos
bancos em dificuldades. Do mesmo modo, a Reserva Federal baixou as taxas de
juro a curto prazo para zero e adquiriu milhares de milhões de
dólares em títulos do tesouro a longo prazo, em títulos de
agências governamentais, e mesmo em títulos garantidos por
créditos hipotecários, numa tentativa desesperada de salvar
grandes instituições financeiras como a AIG, a Fannie &
Freddie e outras instituições financeiras norte-americanas da
implosão. Mas agora os investidores, especialmente os investidores
internacionais, estão a vender obrigações do Tesouro e a
fazer subir as taxas de juro a longo prazo e a fazer descer o dólar
norte-americano à medida que o medo da inflação aumenta,
embora, paradoxalmente, o colapso da pirâmide de dívidas crie um
ambiente deflacionário para toda a economia.
O perigo
neste caso é que os investidores irão vender as
obrigações do Tesouro mais rapidamente do que a Reserva Federal
pode comprá-los, em cujo caso os preços das
obrigações descerão em espiral, à medida que a
inflação e o medo da falência são exacerbados. Numa
palavra, se a Reserva Federal não tornar mais flexível a sua
política corrente de monetarização excessiva da
dívida pública e privada e a sua clara política de
«negligência benigna» relativamente ao dólar, a
inflação elevada e até mesmo a
hiper-inflação tornar-se-ão possíveis neste
processo. Isto já aconteceu no passado e não há
razão para que não volte a repetir-se, especialmente se os EUA
continuarem a envolver-se em guerras onerosas no estrangeiro, pagando estas
aventuras com dinheiro que não têm.
Por agora, um
rápido ressurgimento da inflação é apenas uma
remota possibilidade. Mas esta é, não obstante, uma
possibilidade, considerando que os bancos centrais tendem a cunhar moeda
fiduciária em excesso. De facto, se os governos tentarem resolver o
problema demográfico estrutural no horizonte através da cunhagem
de moeda, acabarão por gerar hiper-estagflação. Em poucas
palavras, é isto que o gigantesco mercado internacional de
obrigações dominado pelo dólar vê e receia, num
momento em que tem que absorver uma enorme quantidade de novas emissões
de obrigações. Na verdade, o mercado de obrigações
ganhará sempre, face a qualquer banco central, em qualquer altura. Os
problemas da solvência e a provável incapacidade do Estado da
Califórnia para pagar a sua dívida fabulosa apenas
aumentarão a ansiedade.
Há
umas semanas atrás, alertei para o risco de futuros aumentos
súbitos das taxas de juro a longo prazo e desvalorização
do dólar norte-americano após as decisões por parte do
Tesouro norte-americano e da Reserva Federal de inundar os mercados com
triliões de dólares de novas emissões de
obrigações do Tesouro e com dinheiro acabado de imprimir. Essa
tendência está a chegar mais rápido do que pensei.
Só quando os mercados podem esperar uma relativa
estagnação económica e um ambiente deflacionário
duradouro é que as taxas de juro de longo prazo estabilizam.
Estejam bem
preparados. Vem aí uma década económica muito
difícil.
_______________________________________________________________________
* Rodrigue
Tremblay é Professor emérito de economia na Universidade de
Montreal Tradução: André Rodrigues P. Silva
4.
http://resistir.info/crise/tremblay_17set08.html
O sistema financeiro dos EUA está em sérias perturbações
por
Rodrigue Tremblay [*]
"… uma salvação de possuidores de títulos de empresas patrocinadas pelo governo (Fannie e Freddie) seria talvez o maior roubo dos contribuintes da história americana. É má teoria económica e pode estar certo de que é uma política terrível".
Matt Kibbe, Presidente do
Freedom Works
"A primeira panaceia para um país mal administrado é a inflação da sua divisa, a segunda é a guerra. Ambas trazem uma prosperidade temporária, ambas trazem uma ruína permanente. Mas ambas são o refúgio de oportunistas políticos e económicos".
Ernest Hemingway
(1899-1961), (Setembro/1932)
[Após a
salvação do Bear Stearns] "Quando mais firmas perdem
acesso ao financiamento, o círculo vicioso da venda forçosa, da
volatilidade acrescida, ... e as margin calls [1] que já estavam bem
avançadas naquele momento provavelmente seriam intensificadas. A
economia mais ampla dificilmente poderia ter permanecido imune a tais severas
rupturas financeiras".
Ben Bernanke, Presidente do
Fed (Março/2008)
Em Agosto de 2007, no princípio mesmo da crise financeira das subprime nos EUA, e
referindo-me à prática semelhante à alquimia de criar
instrumentos financeiros artificiais, tais como as mortgage-backed securities
(MBSs), eis o que escrevi :
“Tal como
todos os 'esquemas de Ponzi' , tais pirâmides de
dívidas sem activos líquidos por trás estão
destinadas a implodir mais cedo ou mais tarde". Também escrevi
acerca da intervenção do Fed nesses casos, que "alivia a
'crise de liquidez', certamente, mas nada faz para curar a 'crise de
solvência' de instituições que possuem grandes porções
de activos apoiados por hipotecas não cumpridas. Mais cedo ou mais
tarde, tais derivativos de baixo valor terão de ser cancelados, e isto
necessariamente levará a uma erosão do capital base destas
instituições. Bancarrotas das instituições mais
alavancas e imprudentes são aguardadas.”
De facto, bancarrotas
de tais instituições financeiras super-alavancadas tornaram-se
inevitáveis. Durante algum tempo, fusões forçadas entre
bancos, iniciadas pelo Fed ou pelo Tesouro, podem suavizar a explosão.
Mas depois desse período, as bancarrotas claras e sem rodeios não
poderão ser evitadas e os balanços terão de ser
equilibrados.
O que é que provoca esta desordem
financeira?
No mês passado dei uma resposta curta :
“No centro
dos actuais problemas financeiros está o fracasso em adoptar
regulamentação financeira padrão para novas
instituições financeiras, tais como bancos
correctores de investimento , hedge
funds baseados off-shore e grandes mercados
de derivativos que permanecem, na maior parte, fora da autoridade
tradicional dos reguladores. Contudo, quando as coisas dão para o torto,
como aconteceu com o Bear Stearns em Março último,
sua morte ameaça desestabilizar todo o sistema financeiro e apela-se
rapidamente a convenientes salvações governamentais.”
Hoje afirmo que esta
grande crise tem de ser colocada nos próprios pés do establishment de Washington . Trata-se de um
establishment político-financeiro que empurrou até aos limites a
sua ideologia de desregulamentação de mercados financeiros e
esticou o funcionamento do capitalismo corporativo de mercado até
ao ponto de ruptura. Agora o sistema está a implodir sob os nossos olhos
e as instituições financeiras caem como dominós. Como
escrevi em Agosto último, e repeti em Abril deste ano , o problema financeiro dos EUA
não é de liquidez (há muitíssima liquidez fornecida
pelo Fed quando bancos e correctores podem tomar emprestado à vontade
dólares recém impressos no guichet de desconto do Fed) mas sim de
solvência, de balanços fracos, activos arriscados e
liquidação de divida. Trata-se de um cavalo de uma outra cor.
Ao longo dos
últimos 25 anos, principiando com a administração Reagan e
culminando com a actual administração Bush-Cheney, o establishment
de Washington desmantelou peça por peça o sistema de
protecção que fora construído a partir da depressão económica da
década de 1930 e removeu praticamente todos os regulamentos federais que
podiam constituir obstáculo à cobiça e burla da parte de
operadores de mercado inescrupulosos.
E eis que chega o
momento da verdade. Fora das bancarrotas está a
nacionalização pelo governo dos bancos super-alavancados. E a administração
Bush-Cheney deu um grande passo nessa direcção quando veio
resgatar as duas maiores instituições de finanças
hipotecárias, a Fannie Mae (Federal National Mortgage Association: FNM)
e o Freddie Mac (Federal Home Loan Mortgage Corporation, FRE) que iam fechar
por estarem insolventes. Este passo foi iniciado depois de bancos centrais (na
China, Japão, Europa, Médio Oriente e Rússia)
ameaçarem parar de comprar títulos e debentures emitidos pelas
duas tremelicantes instituições financeiras.
Mas a administração
Bush-Cheney, ainda que proporcionando dinheiro público para manter os
dois prestamistas em operação, parou um pouco antes das suas
nacionalizações. Na verdade, o governo dos EUA comprometeu-se a
investir até US$200 mil milhões em acções preferenciais
e crédito estendido até 2009, a fim de manter os dois
prestamistas hipotecários solventes e em operação.
Mas ao invés
de tomá-los colocando-os em concordata
(receivership) administrativa, a
fim de mudar o seu modelo de negócio, como ambos deveriam ter feito uma
vez que o governo agora está a garantir suas dívidas pendentes
(mais de US$5 milhões de milhões), o governo estado-unidense
preferiu ao invés disso manter a aparência de que estes bancos
ainda estavam sob administração privada e apenas nomeara um conservador
legal para a Fannie Mae e o Freddie Mac. Mesmo quando eles salvam duas das
chamadas empresas patrocinadas pelo governo (Government
sponsored enterprises, GSEs), a sua
ideologia de mercado impede-os de fazer a coisa correcta.
Após anos de
irresponsável desregulamentação pública e de
malversão privada e irresponsável, agravando o risco assumido, o
sistema financeiro americano está agora em séria
perturbação, e ele pode puxar a economia dos EUA ainda mais para
baixo nos próximos meses e anos.
Nas próximas
semanas, contudo, quando outras instituições financeiras
cambaleiam à beira da bancarrota, o governo dos EUA terá de
considerar a criação de um Bank Resolution Trust de acordo com o modelo da Resolution Trust Corp. de 1989 a qual tomou as
poupanças e empréstimos de bancos que estavam então em
dificuldades financeiras. Exemplo: ainda recentemente, em 16 de Fevereiro deste
ano, o governo britânico não hesitou em nacionalizar o Northern Rock e salvou este grande banco
britânico com cerca de £55 mil milhões (US$107 mil
milhões) em empréstimos públicos e garantias. Mais cedo ou
mais tarde, o governo americano terá de fazer o mesmo, a fim de estabilizar
o sistema financeiro, porque os problemas financeiros nos EUA são
sistémicos e muito mais sérios do que em outros lugares.
Da mesma maneira,
talvez o governo estado-unidense deva corrigir uma anomalia do século
XX, que é o status semi-privado do seu banco central. Na verdade, o Federal Reserve americano é uma
organização de banco central semi-pública e semi-privada
que é em igual medida responsável tanto para com grandes bancos
privado como para com o governo dos EUA e a população. Isto cria
um conflito não saudável de interesses que não é
justo para o público americano. Na verdade, a prática americana
de privatizar lucros e socializar perdas seria considerada inaceitável
na maior parte das outras democracias.
O que estamos a
testemunhar nestes dias nos EUA é uma transferência maciça
de riqueza dos contribuintes, poupadores e aposentados para os bancos, seus
credores e seus administradores. Por um lado, o Fed enterrou profundamente as
taxas de juro reais no território negativo a fim de ajudar bancos
perturbados e, por outro, os contribuintes americanos tem financiado a
salvação de instituições financeiras muito grandes.
Pergunto-me o que os
dois campos presidenciais, o de Obama e o de McCain, têm a dizer acerca
disso! Ambos querem aumentar o défice federal e aumentar
significativamente a já elevada dívida nacional.
17/Setembro/2008
__________________________________________________
[1] Margin calls: Pedido
de fundos adicionais devido a movimentos de preços adversos.
[*] Professor
emérito de Ciências Económicas na Universidade de Montreal,
autor The Code for Global Ethics
. Email: rodrigue.tremblay@yahoo.com
O original encontra-se
em http://www.thenewamericanempire.com/blog
Este artigo encontra-se
em http://resistir.info/
.
3.
http://resistir.info/crise/tremblay_22fev08.html
22/Fevereiro/2008
O sistema financeiro dos EUA, a bolha da dívida e o
cancro da desregulamentação excessiva
por Rodrigue
Tremblay [*]
"É
justiça poética que as pessoas que fermentaram esta
mixórdia tóxica porfim acabaram por beber um bocado dela".
Warren Buffett,
investidor americano
"Através
de um contínuo processo de inflação o governo pode
confiscar, secreta e anonimamente, uma parte importante da riqueza dos seus
cidadãos".
John Maynard
Keynes (1883-1946)
"O novo
dinheiro que entra na economia não afecta todos os actores económicos
por igual nem influencia todos os actores e económicos ao mesmo tempo. O
dinheiro recém criado deve entrar na economia num ponto
específico. Geralmente esta injecção monetária
chega através da expansão do crédito pelo sector
bancário. Aqueles que recebem este novo dinheiro em primeiro lugar
beneficiam-se a expensas daqueles que o recebem só depois de ele ter
serpenteado através da economia e de os preços terem tido
oportunidade de ajustar-se".
Friedrich A.
Hayek (1899-1992), economista austríaco
Quando o presidente do Fed, Ben Bernanke , diz que a situação
económica está a pior, é melhor que acredite nele. De
facto, os mercados de crédito nos EUA estão a entrar em colapso
debaixo dos nossos olhos, e não se vê quando isto acabará,
muito menos de quando reverterá.
1- Os principais indicadores
económicos da
economia dos EUA estão em queda;
2- O sentimento
de confiança do
consumidor está
em queda quando as retiradas sobre hipotecas estão a secar;
3- Os
números do emprego estão em queda;
4- O
relatório de Janeiro de 2008 sobre a economia de serviços dos EUA indica que a mesma contraiu-se
no princípio do ano pela primeira vez em 58 meses;
5- O
número de novos desempregados ainda é perigosamente elevado;
6- A crise habitacional está a ganhar vapor; os banco
têm de colocar nos seus balanços perdas cada vez mais elevadas
devido às subprimes, minando portanto as suas bases de capital e
conduzindo muitos deles à beira da insolvência;
7- As agências de
classificação de crédito estão sob sítio;
8- Os
títulos de companhias de garantia de seguros estão em vias de
perderem as suas classificações triplo A e algumas estão
à beira da bancarrota;
9- O mercado de títulos municipais , com US$2,6 milhões de
milhões (trillion) está prestes a mergulhar, se e quando os seguradores de
títulos não os arrastarem;
10- O mercado corporativo dos
empréstimos alavancados (leveraged) está desbaratado;
11- O mercado
de mais de um milhão de milhões de dólares de hipotecas e títulos apoiados em
dívidas pode
entrar em colapso completo se os maiores segurados de hipotecas
estado-unidenses continuarem a sofrer perdas lancinantes;
12- Grandes hedge funds estão a perder dinheiro numa
escala elevada e estão a sofrer uma corrida sobre os seus activos;
13- Nos EUA, a dívida total em percentagem do
PIB é superior a
300 por cento, um nível récorde (N.B.: em 1980 era 125 por
cento!);
14- E,
finalmente, o mercado à escala mundial de centenas de milhões de
milhões (trillion) de dólares em derivativos poderia implodir a qualquer momento, se demasiadas
instituições financeiras forem abaixo durante os próximos
meses, pois a maior parte destas transacções são
negócios inter-instituição.
Há uns
poucos positivos desgarrados, tal como o facto de que o produto manufactureiro parecer estar a levantar-se muito bem,
pois o dólar desvalorizado estimula as exportações, mas o
quadro económico global permanece negro. Isto é uma homenagem
à capacidade de resistência da economia dos EUA.
Toda esta
confusão começou no princípio dos anos 2000, e mesmo muito
antes no principio dos anos 1980 quando Fed e a SEC adoptaram uma abordagem de
não tocar nos mercados financeiros, guiados pela nova religião
económica de que "os mercados não podem errar". O que
estamos a testemunhar é o fracasso de aproximadamente trinta anos das
chamadas políticas económicas conservadoras a cavaleiro da
dívida e da desregulamentação.
Deve-se
entender que o recente problema
da subprimes
começou realmente em 2000, quando a agência de
classificação de crédito Standard & Poors emitiu um
pronunciamento a dizer que o financiamento hipotecário de casas
"montado nas costas" ("piggyback"), quando uma segunda hipoteca é
tomada para pagar a entrada de uma primeira hipoteca, provavelmente não
conduziria a mais incumprimentos do que mais hipotecas padrão. Isto
encorajou instituições de empréstimos hipotecários
a relaxarem as suas práticas de empréstimos, indo tão
longe como emprestar sobre hipotecas com nenhum pagamento inicial de qualquer
espécie, e até mesmo adiar pagamentos de capital e juros por
algum tempo. E com o Fed e a SEC a olharem para o outro lado, foi dado um passo
fatal. Os bancos e as suas subsidiárias decidiram seguir novas regras
tóxicas e arriscadas de operação bancária.
Na verdade,
apesar de os bancos tradicionalmente tomarem emprestado a curto prazo e
concederem empréstimos a longo, eles deram um novo passo gigantesco:
começaram a transformar empréstimos a longo prazo, tais como
hipotecas, empréstimos para carros, estudantes, etc em empréstimos
a curto prazo. Realmente, eles caíram no negócio do alquimista de
entrouxar juntos empréstimos a prazos relativamente longos dentro de
pacotes que cortaram às fatias dentro de instrumentos de crédito
mais pequenos que tinham todas as características de papel comercial a
curto prazo, mas estavam a carregar rendimentos mais elevados. Eles
então venderam estes novos structured investment vehicles (SIVs), por uma comissão, a toda espécie de
investidores que estavam à procura de rendimentos mais altos do que as
magras taxas que estavam a pagar as alternativas. E, uma vez que os bancos
estavam por trás destes novos activos financeiros, as agência de
créditos deram-lhes uma classificação AAA, o que permitiu
aos fundos de pensão regulados e às companhias de seguros
investirem neles, acreditando que eram tanto seguros como líquidos.
Ficaram prontos para um choque. Quando a bolha imobiliária explodiu, o
valor dos activos reais por trás dos novos instrumentos financeiros
começou a declinar, puxando o tapete para fora dos asset-backed paper market (ABCP) que estavam por baixo, os quais
tornaram-se ilíquidos e tóxicos. Como praticamente não
há qualquer comercialização com os novos instrumentos,
ninguém sabia o verdadeiro valor do papel, e portanto ninguém e
estava desejoso de comprá-lo. Esta crise de confiança agora
permeou outros mercados de crédito e está a ameaçar todo o
sistema financeiro à medida que o contágio se propaga.
Ainda em
2003-04, o então presidente do Fed, Alan Greenspan, não era o
menos preocupado com a bolha da hipoteca imobiliária financiada pela
subprime mas estava ao contrário a encorajar pessoas a sacarem hipotecas
com taxa ajustável, apesar de as taxas de juro estarem numa baixa de
trinta anos e estarem prestes a aumentar. Mesmo no fim de 2006, o recém
nomeado presidente do Fed, Ben Bernanke, manifestou não estar preocupado
com a bolha imobiliária, dizendo que preços elevados eram apenas
um reflexo de uma economia forte. Note bem, isto aconteceu mais de um ano
depois de o mercado imobiliário ter atingido o pico, no Verão de
2005. A história registará que o Fed e a SEC nada fizeram para
prevenir a pirâmide da dívida de atingir os níveis
perigosos a que chegou e que está agora a esmagar a economia.
Num
espaço de tempo mais longo, quando se olha o gráfico fornecido
pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) dos EUA que mostra a importância das dívidas
pendentes
(corporativas, financeiras, governamentais e mais as pessoais) em
relação à economia, fica-se impressionado pelo facto de
que este rácio permaneceu em torno dos 1,2 do PIB durante
décadas. Então, alguma coisa grande aconteceu no princípio
da década de 1980, e o rácio começou a ascender, apenas
com uma ligeira pausa nos meados da década de 1990, até atingir o
actual nível com falta de ar de 3,1 vezes do PIB, aproximadamente 200
por cento mais do que costumava ser.
A
adopção de cortes
fiscais maciços
a par com políticas de gastos deficitários do governo, e
políticas de desregulamentação, por parte de Reagan e subsequentes
administrações republicanas, culminando tudo num modo grotesco
sob a actual administração, contribuiu maciçamente para
esta bolha da
dívida sem
precedentes. Levou muitos anos para construir a pirâmide da
dívida, e levará muitos anos para desfazê-la e reduzir esta
montanha acumulada de dívida a uma dimensão mais
administrável.
Este é o
grande quadro por trás desta crise. Ela é muito maior do que a
crise das caixas económicas (S&L) na década de 1980, a qual
parece diminuta em comparação com a actual. Eis porque penso que
esta crise prolongar-se-á pelo menos mais uns poucos anos, possivelmente
até 2010-11.
_______________
22/Fevereiro/2008
[*] Professor
emérito de Teoria Económica na Universidade de Montreal. Autor de
The New American
Empire e de The Code for Global Ethics (ainda não lançado).
Responsável pelo sítio web www.thenewamericanempire.com/ e pelo blog www.thenewamericanempire.com/blog . Contacto: rodrigue.tremblay@yahoo.com
Este artigo
encontra-se em http://resistir.info/ .
2.
http://www.resistir.info/crise/fed_panic_21set07_p.html
21 setembro 2007
Um pânico do Federal Reserve e uma
operação maciça de salvamento de bancos americanos paga
pelo mundo inteiro
por Rodrigue
Tremblay [*]
"As
loucuras, os pânicos e as quedas das bolsas são consequência
de uma economia que cultiva a cupidez, a conspiração e a
ganância em vez de uma fé devota na Regra de Ouro".
Peter L. Bernstein,
Foreword to Manias, Panics, and Crashes (4th ed.) by C. P. Kindleberger
"Numa
crise, reduzam os preços e reduzam-nos fortemente".
Walter Bagehot
(1826-1877), economista britânico
"O papel
da Reserva Federal é esconder a taça do ponche logo que a festa
começa a ficar animada".
William
McChesney Martin (1906-1998), Presidente do Fed (1951-1970)
"O estado
da disfuncional política americana não me dá grande
confiança no futuro próximo".
Alan Greenspan,
Presidente do Fed (1987-2006)
A má gestão
do dinheiro e do crédito sempre levou a explosões financeiras ao
longo dos séculos. As causas, curas e consequências dessas
catástrofes financeiras são quase sempre repetitivas. Com efeito,
esses colapsos financeiros são normalmente resultado da avidez e da
ganância desenfreada dos operadores financeiros e da falta da
indispensável supervisão pelas instituições
oficiais que deviam proteger os bens públicos e comuns. Por exemplo,
depois da crise financeira de Outubro/Novembro de 1907 nos Estados Unidos,
acabou por ser aceite em 1913 a ideia avançada inicialmente pelo
banqueiro Paul Warburg para instituição de um sistema
bancário da Reserva Federal (Fed) em parte privado e em parte
público. O Fed tornou-se assim o prestamista de último recurso
para os bancos que chegam a uma posição de perda de liquidez. Mas
foi só depois da queda da bolsa de 1929 é que foi fundada a
Security and Exchange Commission (SEC).
Mas mesmos com
instituições e regulamentações estabelecidas, se
elas forem inoperantes, corruptas ou desadaptadas, podem continuar a ocorrer
crises financeiras. E a actual crise financeira aí está para nos
recordar esse facto.
Em 18 de
Setembro (2007), o Fed demonstrou algum pânico e anunciou o corte de meio
ponto percentual, mais do que era esperado, na taxa de fundos federais e na
taxa de desconto, isto depois de ter reduzido a taxa de desconto de meio ponto,
em 17 de Agosto, a fim de facilitar que os maiores bancos da América
contraíssem empréstimos e a fim de facilitar uma operação
de salvamento das suas afiliadas e de outros operadores, tais como os
hedge-funds [1] , apanhados pela crise dos
empréstimos secundários. Com esta atitude, o Fed de Bernanke [2] está a seguir o conselho de Bagehot para uma
agressiva redução de preços em situação de
crise financeira. Só que o problema é que a regra de Bahegot
exige que o banco central faça abundantes empréstimos em tempos
de escassez crítica de créditos… mas com uma taxa de juros
alta. Ao emprestar a prestamistas em dificuldade a taxas preferenciais reduzidas,
o Fed está a agir como "governo" deles, isto é, a
subsidiar as suas arriscadas operações de empréstimos e a
carregar de impostos apenas os que possuem dólares americanos.
Não está a tentar apenas torná-los mais
"líquidos", mas também mais
"resolúveis" e com menos probabilidades de falir.
Isto coloca
três questões interessantes. Primeira, quem paga a
operação de salvamento das instituições financeiras
americanas; segunda, quais são as consequências a longo prazo da
maciça operação de salvamento empreendida pelo Fed; e
terceira, porque é que o Fed deixou que a situação
financeira se deteriorasse a um ponto tal que há um sector inteiro da
economia que se está a desmoronar e o seu colapso ameaça toda a
economia.
Em primeiro
lugar, temos que considerar que o dólar americano ainda continua a ser
uma divisa de reserva chave, embora esteja a perder terreno para o euro, e a
maior parte dos bancos centrais ainda continua a mantê-lo em quantidades
enormes nas suas reservas de divisas estrangeiras, tal como acontece com bancos
privados, entidades comerciais e económicas e pessoas por todo o mundo.
Por exemplo, no início de 2007, os bancos centrais estrangeiros,
só por si, detinham cerca de 2 250 milhares de milhões de
reservas em dólares americanos, o que representava cerca de 66 por cento
das suas reservas oficiais totais de divisas estrangeiras, ao lado de um pouco
mais de 25 por cento de reservas em euros.
Como o
dólar está a perder o seu poder de compra, tanto em termos
absolutos como relativos, os bancos centrais e outros investidores estrangeiros
têm vindo a ser "colectados" pela política de pouca
preocupação com o dólar do Fed americano. Em termos reais,
pode medir-se o imposto de seigneurage [3]
sobre os possuidores estrangeiros de dólares calculando a diferença
entre a taxa anual da depreciação do dólar
vis-à-vis as principais divisas convertíveis e a taxa de juro a
curto prazo sobre essas reservas. Por exemplo, se a taxa anual de
depreciação do dólar é de cinco por cento e a taxa
a curto prazo do retorno dos títulos de tesouro americano é de
quatro por cento, os bancos centrais estão a perder cerca de 22,5 mil
milhões de dólares por ano. Como os estrangeiros privados
detêm uma dívida de mais de 2 milhões de milhões de
dólares, a perda líquida anual dos possuidores estrangeiros de
dólares americanos pode atingir facilmente os 50 mil milhões de
dólares por ano. A conclusão é fácil de tirar:
Não só os estrangeiros têm vindo a financiar fortemente os
enormes défices do governo dos EUA nos últimos seis anos, como
estão agora a impor-lhes que ajudem a financiar a generosa
operação de salvamento das instituições financeiras
americanas.
Os
investidores, tanto no estrangeiro como nos EUA, sabem que, para muita gente,
os números oficiais da inflação estão subestimados,
essencialmente porque com isso pretende-se reduzir o peso dado nos indicadores
aos bens e serviços cujos preços aumentam mais rapidamente, mas
também porque os custos da habitação e os preços
das propriedades só são tidos em consideração
parcialmente. Isto pode explicar porque é que as expectativas de
inflação apontam para uma subida, apesar de os números
oficiais da mesma não apresentarem uma subida. Há dinheiro
fácil a mais conforme se viu nos últimos anos aquando da primeira
inflação dos produtos petrolíferos, mas mais tarde ou mais
cedo surge a subida dos preços de todas as mercadorias e dos
preços de todos os bens e serviços. Com a actual queda do
dólar, é de esperar que os americanos venham a pagar mais por uma
série de artigos, tais como o combustível e a
alimentação. Isso traduzir-se-á num padrão de vida
mais baixo.
O preço
do ouro, o preço do petróleo e os preços de outras
mercadorias estão a subir e podem servir de campainhas de alarme da
inflação. O comportamento das taxas de juro a longo prazo que
incorporam expectativas de inflação é também um bom
indicador da futura inflação. Com o Fed a imprimir dinheiro e a
aumentar a disponibilidade de dinheiro a alta escala, como se estivesse a ser
lançado do céu por um helicóptero (daí a alcunha de
"Helicóptero" para Ben Bernanke, presidente do Fed), as taxas
de juro a curto prazo irão cair durante algum tempo, mas as taxas de
juro a longo prazo terão tendência a subir lentamente, a
não ser que se desencadeie uma profunda recessão.
Em segundo
lugar, uma maciça operação de salvamento tal como o Fed de
Bernanke desencadeou coloca a questão do risco moral presente em
qualquer operação desse tipo feita pelo banco central, depois de
não ter conseguido regular devidamente as actividades de risco dos
bancos que supervisiona. Na verdade, ao aceitar acções e
obrigações sustentadas por hipotecas como garantia para
gigantescos empréstimos a prazo mais ou menos longo, empréstimos
esses contraídos pelos bancos e corretores americanos, o Fed está
mas é a recompensar as próprias instituições que
agiram de forma extremamente irresponsável durante os últimos
quatro a cinco anos, enquanto limpa a sua própria imagem por ter
fracassado na sua missão reguladora. A mensagem é muito clara: As
instituições financeiras americanas podem entregar-se à
criação de instrumentos "inovadores" de crédito
artificial de alto risco, atirando os riscos para cima de mutuários e
investidores inocentes e arrecadando comissões e prémios
chorudos, e quando as coisas dão para o torto, como é de esperar,
aparece o Fed em seu socorro e salva-os com empréstimos baratos e
prolongados. É uma boa forma de encorajar descuidadamente qualquer
instituição financeira gananciosa e fora de controlo a fomentar
sucessivas crises financeiras desordenadamente e de forma perturbadora.
Na verdade, o
Fed de Bernanke está agora a livrar da dor das consequências as
instituições financeiras que agiram irresponsavelmente, algumas
delas que agiram mesmo criminosamente, conforme disse Alan Greenspan, antigo presidente
do Fed. É um caso evidente de risco moral.
Se não
forem implementados novos regulamentos ou se não forem postos em marcha
novos regulamentos, uma operação maciça como esta assegura
que as instituições financeiras americanas vão continuar
no futuro a tentar ganhar dólares rápidos criando capital
artificial de risco, sem pesar devidamente os riscos envolvidos para os
pequenos investidores e pequenas poupanças, enquanto que o Fed
assumirá a responsabilidade de desviar as perdas em parte para si próprio
mas principalmente para os possuidores de dólares americanos. Com
efeito, o Fed está a manter em suspenso a disciplina de mercado a favor
dos grandes jogadores financeiros que coloca sob sua protecção,
enquanto deixa que a disciplina de mercado esmague os pequenos
proprietários de habitações e os pequenos investidores que
compraram casas, agora com hipotecas instáveis, ou que investiram as
suas poupanças em títulos de dívida com garantias
fraudulentas e de alto risco (CDO's). É este o resultado líquido
da aplicação parcial da regra de Bagehot.
A terceira
questão é: porque é que o Fed de Greenspan e de Bernanke
não escondeu mais cedo a taça de ponche do dinheiro fácil
e do crédito fácil, quando as coisas começaram a ficar
feias no mercado de hipotecas secundárias durante o período de
2003-2007. Porque é que parecia paralisado e nada fez? O antigo
presidente do Fed, Alan Greenspan, tem uma explicação simples e
conveniente. Antes de 2003, receou um início da deflação e
foi por isso que o Fed elevou a sua taxa principal de empréstimo de 1
por cento (de Junho de 2003 a Junho de 2004) apenas pela segunda vez na
história. Também afirma que havia demasiadas
"poupanças globais" pelo mundo afora e que foi isso que fez
descer as taxas de juro. Isto é uma explicação deslavada,
porque, se a globalização e as poupanças globais
mantiveram a inflação baixa e as taxas de juro a prazo baixas, a
subida das taxas de juro a curto prazo e o aumento do fornecimento de moeda
estiveram sempre sob o controlo do Fed. O Fed não tinha
obrigação, depois de 2003, de manter as taxas de juro a curto
prazo tão negativas durante tanto tempo. Claro que, como a
administração Bush andava a cortar as taxas dos impostos para
reforçar as perspectivas de reeleição em 2004, e andava a
gastar dinheiro à maluca em guerras travadas em terras distantes, o Fed
devia ter percorrido a via contrária para contrabalançar o
ímpeto fiscal que isso criava para a macro economia. Por outras
palavras, devia ter escondido a taça do ponche. Mas não o fez.
Em consequência,
a dívida hipotecária como percentagem da renda disponível
nos EUA encontra-se ao nível mais alto dos últimos setenta e
cinco anos, atingindo 100 por cento, enquanto que a dívida de consumo
subiu para o nível mais alto da história. Tudo isto torna a
economia mais vulnerável do que nunca desde a depressão de
1929-39. Outra consequência desta farra de dinheiro fácil é
o frenesi de leveraged buy-outs [4] e a
concentração industrial que temos vindo a observar nos
últimos anos.
Por fim,
ponhamos a cereja em cima do bolo. Com efeito, há um trecho muito
inquietante no recente livro de memórias (The Age of Turbulence) do antigo presidente do Fed, Alan
Greenspan, e nas explicações que ele deu em entrevistas
concedidas para divulgação do livro: é a sua confissão
de que, enquanto desempenhou o cargo de presidente do Fed, incitou activamente
o vice-presidente Dick Cheney para um ataque dos EUA ao Iraque. Se isto
aconteceu, foi muito incorrecto que um banqueiro central agisse desta forma,
principalmente quando tinha mais que fazer do que pressionar a favor de uma
guerra ilegal. Quer isto dizer que Greenspan foi um membro activo do grupo de
pressão pró Israel no interior do governo dos EUA e se juntou
à quadrilha de Wolfowitz-Feith-Abrams-Perle-Kissinger? Parece-me que uma
atitude destas devia ser objecto de investigação.
Na verdade,
até que ponto é que o grupo de pressão pró Israel
foi responsável pela guerra do Iraque e pelos défices que ela
gerou? Já existem neste momento sondagens que indicam que 40 por cento
dos eleitores americanos acreditam que o grupo de pressão pró
Israel foi um factor chave na entrada da guerra com o Iraque e que o mesmo
está de novo muito activo na promoção de uma nova guerra
contra o Irão. Este número tende a aumentar à medida que
cada vez há mais pessoas a perceber os factos que estão por
detrás desta guerra tão desastrosa e mal concebida. Com efeito,
quantas guerras é que este grupo pode engendrar antes de ser detido? E
até que ponto o turbilhão financeiro nos EUA e nos mercados mundiais
pode vir a ser relacionado com a influência deste grupo tão
corrosivo?
21/Setembro/2007
__________________________________
Notas
(1) hedge-funds
– fundos que investem no comércio a prazo de mercadorias visando
diminuir os riscos e reduzir os prejuízos (N.T.)
(2) Bernanke
– Ben Shalom Bernanke é um economista, presidente do Conselho de
Governadores da Reserva Federal dos Estados Unidos (N.T.)
(3) seigneurage
– receita líquida decorrente da emissão de divisas.
É uma importante fonte de receita para os bancos nacionais (N.T.)
(4) leveraged
buy-out – aquisição da totalidade ou da maioria das
acções de uma empresa com recurso a capitais de empréstimo
(N.T.)
_____________________________________________
[*]
Economista canadiano, colaborador frequente de Global Research, autor de The
New American Empire . O seu
próximo livro intitula-se "The Code for Global Ethics".
O
seu blog: www.thenewamericanempire.com/blog
O original
encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=6832 .
Tradução
de Margarida Ferreira.
Este artigo
encontra-se em http://resistir.info/ .
25/Set/07
Postado por gilberto tedeia
às Quarta-feira, Setembro 26, 2007
1.
http://altermundo.org/portal/content/view/285/65/lang,gl_ES/
29-09-2006
[Online Journal. Traducido do
inglés para Rebelión por Sinfo Fernández. Ao galego por altermundo.org]
Os cinco alicerces do complexo industrial militar dos
Estados Unidos.
“Pódense
atopar sistemas militares desmesurados en calquera modalidade de goberno que
manteña actitudes de rexeitamento ante a liberdade, e que son
considerados particularmente hostís ante a liberdade republicana”
George
Washington (1732-1799). Primeiro presidente estadounidense.
“[A]
conxunción dun sistema militar inmenso e dunha gran industria
armamentística é algo novo na experiencia estadounidense…
Nos consellos de goberno, debemos gardarnos ben de que o complexo industrial
militar chegue a ter unha influencia inxustificábel, sexa ou non
alentada. Hai potencial, e seguirá habéndoo, para que se produza
ese desastroso aumento de poder de xeito evidente inapropiado.”
Dwight D. Eisenhower (1890-1969),
34º presidente, discurso de despedida, 17 de xaneiro de 1961.
“Que
o noso país vaia agora cara a un modelo de economía baseada nas
armas é parte do modelo xeral dunha política desacertada,
alimentado con axuda dunha psicosis, inducida artificialmente, de histeria de
guerra e nutrida a partir dunha propaganda incesante ao redor do medo.”
Xeral
Douglas MacArthur, discurso do 15 de maio de 1951.
Na década dos anos vinte do pasado século,
o Presidente Calvin Coolidge dixo: “O negocio de EUA consiste en facer
negocios”. Na actualidade, pode dicirse que a industria de armas e a
guerra permanente convertéronse nunha gran parte do negocio
estadounidense, conformándose como unha especie de filial dun complexo
industrial militar ben arraigado. Anteriores homes estadounidenses con
visión de alcance fixeron advertencias contra esta deriva, homes como o
Presidente George Washington e o Presidente Dwight Eisenhower, ao ser
intrinsicamente contraposta á democracia e á liberdade. Con todo,
á actual administración Bush-Cheney non lle asustan esas tendencias;
os seus principais membros son parte delas e, precisamente, están moi
ocupados promocionándoas.
As guerras,
especialmente as guerras electrónicas modernas, provocan uns masacres
terríbeis, pero son tamén sinónimo de grandes contratos
que supoñen custes altísimos, grandes beneficios e grandes
posibilidades de emprego para todos aqueles que conforman o necesario engranaxe
militar. As guerras son o paraíso dos preeiros.
As guerras son
tamén unha vía para que políticos mediocres monopolicen as
novas e os medios de comunicación no seu favor de xeiro partisano
avivando o fervor patriótico e presionando por un nacionalismo de
vía estreita. Efectivamente, inflamar o patriotismo e o nacionalismo
é un vello truco demagógico que se utilizou sempre para dominar
as nacións. Cando iso sucede, hai un claro risco de que a democracia e a
liberdade se erosionen, e ata que desaparezan se eses desenvolvementos conducen
a unha concentración exacerbada de poder e de corrupción
política.
Os ataques
terroristas do 11-S de 2001 supuxeron unha bonanza para o complexo industrial
militar estadounidense. Foi un acontecemento, un “Novo Pearl
Harbor”, polo que algúns estiveran esperando. A razón? Eses
ataques deron o pretexto perfecto para desenvolver gastos militares, que se
anhelaban logo da desaparición do antigo Imperio Soviético. E,
ademais, proporcionaron o fundamento para aumentalos de xeito espectacular,
substituíndo unha “Guerra contra o Terrorismo” por unha
“Guerra contra os Islamistas” como substituta da “Guerra
contra o Comunismo” e a “Guerra Fría contra a Unión
Soviética”. Nesta nova perspectiva, as portas do gasto militar
podían abrirse e este fluír de novo. O desenvolvemento do cada
vez máis sofisticado armamento podería continuar e miles de
corporacións e centos de distritos políticos poderían
seguir levándose os beneficios. Os custes serían asumidos polos
contrinuíntes, polos homes e mulleres novas que morrerían en
combate e polas remotas poboacións que xacerían baixo a choiva de
bombas que caerían sobre eles e os seus fogares.
Efectivamente,
en setembro de 2000, cando o Pentágono emitiu o seu famoso documento
estratéxico titulado “Reconstruíndo as Defensas dos
EUA”, expresábase a crenza en que o tipo de transformación
militar que os planificadores estaban a considerar requeriría
dalgún “suceso catastrófico e catalizador”, como un
novo Pearl Harbor, para que fora posíbel venderlle o plan ao pobo
estadounidense. Foron ou intuitivos ou afortunados porque, un ano máis
tarde, xa tiñan o “Novo Pearl Harbor” polo que
devecían.
O complexo
industrial militar necesita guerras, moitas e sucesivas guerras, para
prosperar. O equipamiento militar vello ten que ser reparado e reemplazado cada
determinado tempo se hai unha guerra en marcha. Pero para xustificar o enorme
custe que supón ter que desenvolver armas cada vez máis
mortíferas, necesítase que haxa un clima constante de temor e
vulnerabilidade. Por exemplo, hai moitos informes, elaborados por observadores
internacionais e persoal médico, no senso de que os ataques
israelís contra o Líbano e Gaza durante o verán de 2006
facilitaron o uso de “novas armas feitas nos EUA”. Informouse que
esas armas incluían bombas de uranio empobrecido, armas de
“enerxía directa” e armas novas químicas e
biolóxicas. Estas armas non só logran que o acto de matar sexa
máis doado, senón que tamén deixarán contaminado o
medio ambiente con partículas de uranio empobrecido radioactivo durante
as próximas décadas.
Pero, para
construír un pacto suficientemente forte como para levar a un
país democrático polo carreiro dunha permanente economía
de guerra, necesítase unha alianza de intereses entre militaristas,
industriais, políticos, aduladores e propagandistas. Estes son os cinco
alicerces do complexo industrial militar que poden atoparse nos Estados Unidos.
1. O sistema
militar estadounidense
En 1991, ao
final da Guerra Fría, o orzamento de defensa dos EUA era de 298.900
millóns de dólares. En 2006, ese orzamento medrara ata acadar a
cifra de 447.400 millóns de dólares, e esa cifra non
incluía os 100.000 millóns de máis gastados nas guerras de
Iraq e Afganistán. Estimouse que os gastos militares estadounidenses,
sen necesidade de esaxerar, achéganse á metade dos desembolsos
militares mundiais (48% do total mundial en 2005, segundo cifras oficiais),
malia que a poboación estadounidense representa menos do 5% da
poboación mundial e ao redor do 25% da produción mundial total.
Como porcentaxe, os gastos militares estadounidenses comen un mínimo do
21% do orzamento federal total estadounidense (2006=2.500 billóns de
dólares). Un orzamento militar tal é maior que o productor
interior bruto (PIB) dalgúns países, como Bélxica ou
Suecia. É unha especie de goberno dentro doutro goberno.
En 2006, o
Departamento de Defensa dos EUA empregou a 2.143.000 persoas, mentres que os contratistas
de defensa privada empregan a 3.600.000 traballadores, o que supón un
total de 5.743.000 postos de traballo nos EUA relacionados co sector da
defensa, ou o 3,8% do total da forza laboral. Ademais, hai case 25
millóns de veteranos nos EUA. Xa que logo, pódese dicir que
máis de 30 millóns de estadounidenses reciben cheques que
teñen a súa orixe directa ou indirectamente no orzamento militar
do estado. Supoñendo con cautela que só dúas persoas
maiores de idade votan por fogar, isto tradúcese nun bloque duns 60
millóns de votantes estadounidenses que teñen intereses
financeiros no sistema militar estadounidense. Así pois,
atopámosnos co perigo dunha sociedade militarizada que se
perpetúa a si mesma politicamente.
2. Os
contratistas da defensa privada
Os cinco
contratistas máis importantes da Defensa estadounidense son Lockheed
Martin, Boeing, Northrop Grumman, Raytheon e General Dynamics. Van seguidos de
Honeywell, Halliburton, BAE System e miles de compañías e
subcontratas de defensa máis pequenas. Algunhas, como Lockeheed Martin
en Bethesda (Maryland) e Raytheon en Waltham (Massachussets) obteñen
preto do 100% dos seus negocios dos contratos de defensa. Outras, como
Honeywell en Morristown (Nova Jersey), teñen importantes divisións
de produtos de consumo. Con todo, todas están preparadas para sacar
proveito en canto os gastos de subministros de armas medran. De feito, os
contratistas de defensa estadounidenses estiveron gozando dos grandes
orzamentos do Pentágono dende marzo de 2003, i.e., dende o comezo da
guerra de Iraq. Como consecuencia, contabilizaron aumentos considerábeis
nos rendementos totais das súas accións, indo dende o 68%
(Northrop Grumman) ata o 164% (General Dynamics) dende marzo de 2006 a setembro
de 2006.
Tamén se
sinalou que os contratistas da defensa privada xogan outro papel social: son
grandes empregadores de antigos xenerais e antigos almirantes do sistema
militar estadounidense.
3. O sistema
político
Nos EUA, o Presidente
George W. Bush, un antigo petroleiro, e o Vicepresidente Dick Cheney, como
antigo presidente e director executivo da gran compañía de
servizos petrolíferos Halliburton, en Houston (Texas), personifican a
imaxe de políticos consagrados ao crecemento e desenvolvemento do
complexo industrial militar. A súa administración estendeu o
sistema militar e adoptou unha política exterior militarista a unha
escala nunca vista dende a fin da Guerra Fría e ata dende a fin da II Guerra
Mundial. Efectivamente, baixo a administración Bush-Cheney, a industria
armamentística volveuse extremadamente rendíbel. Contratos por
miles de millóns de dólares van a toda marcha vendendo
avións e tanques a diversos países nun mundo que evoluciona cada
vez máis de costas ao dereito. Case as dúas terceiras partes de
todas as armas exportadas no mundo saen de Norteamérica.
O Congreso,
pola súa banda, está en débeda coas corporacións de
defensa que operan nas plantas militares existentes é cada un dos
distritos dos congresistas ou nos estados dos senadores, ademais de certas
gratitudes aos lobbys que lles proporcionan fondos e apoios nos medios en
épocas electorais.
4. Os
“think tanks” do sistema
Os asesores e
os aduladores que se achan detrás da economía orientada cara a
guerra forman un rede entrelazada dos chamados “think tanks” con
sé en Washington, financiados por ricas fundacións que
están exentas de impostos e que teñen miles de millóns de
dólares de activos, como, por exemplo, a Fundación John M. Olin,
a Fundación Scaife ou a Fundación Coors, etc… Entre os
“think tanks” máis influíntes e representativos, cuxa
misión é orientar a política exterior estadounidense,
atópase o American Enterprise Institute (AEI), a Heritage Fundation, o
Middle East Media Research Institute, o neoconservador Washington Institute for
Near Eastern Policy, o Center for Security Policy, o Jewish Institute for
National Security Affaire, o Project for the New American Century (PNAC) e o
Hudson Institute. Todos eses “think tanks” serven para un dobre obxectivo:
proporcionan funcionarios gobernamentais para realizar informes
políticos sobre diversos temas, normalmente cunha visión moi
conservadora; e serven como incubadoras dos departamentos gobernamentais,
fornecéndolles persoal que xa foi formado e proporcionando postos de
traballo para funcionarios que están fóra do poder.
Obsérvase
que a mesma porta xiratoria que existe entre o sistema militar e os
contratistas de defensa, tamén se move entre os “think tank”
con sé en Washington e os departamentos do goberno dos EUA.
5. O establishment da “propaganda”
Os
propagandistas da economía a favor da guerra pódense atopar
máis ca nada na dereitista industria dos medios de comunicación
estadounidenses. Isto débese a que a venda de políticas
orientadas cara á guerra require a pericia que só unha ben
engrasada máquina de propaganda pode proporcionar. A ferramenta
propagandística máis potente é a televisión.
Aí a Rede Fox de Novas de Rupert Murdoch é invencíbel. Non
hai un medio de comunicación estadounidense máis abertamente
devoto da ideoloxía neocon e máis comprometido no apoio das novas
guerras estadounidenses que a Fox News. A CNN ou a MSNBC poden intentar algunhas veces emulala, pero o seu profesionalismo
impídelles achegarse de máis a Fox News, que está demasiado predisposta a
favor da guerra e promove sen pudor algún a dominación global dos
EUA. Os esforzos de propaganda da Fox están estreitamente coordinados
con outro medio escrito propiedade de Murdoch, como é o Weekly
Standard e o New
York Post. O Washington
Times, que está controlado polo Reverendo da Igrexa da
Unificación Sun Myung Moon, o neoconservador New York Sun e outras publicacións neocon,
como o National Review, The New Republic, The American Spectator, The Wall
Street Journal, completan
a infraestrutura máis importante de propagandistas a favor da guerra.
En conclusión, esa conxunción de cinco
maquinarias para a guerra, i.e., o inflado establishment militar, a gran
industria armamentística estadounidense, a administración neocon
favorábel ás guerras, co Congreso de xeonllos ante os lobbys
militaristas, a rede de “think tanks” favorábeis á
guerra e os belicosos propagandistas dos medios constitúen o marco do
complexo industrial militar, do que o Presidente Dwight Eisenhower, en 1961,
hai 45 anos, xa temía sabiamente que puidese exercer unha influencia
corrosiva sobre a sociedade estadounidense.
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*Rodrigue
Tremblay é profesor emérito de economía no Universidade de
Montreal. rodrigue.tremblay@yahoo.com
É
autor do libro The New American Empire.
O
seu blog: www.thenewamericanempire.com/blog