**ARTIGOS
EM portugués
Rodrigue
Tremblay: autor de próximo livro intitula-se "The Code for Global
Ethics"
www.TheCodeForGlobalEthics.com
3.
http://resistir.info/crise/tremblay_22fev08.html
22/Fevereiro/2008
O sistema financeiro dos EUA, a bolha da dívida e o cancro da desregulamentação excessiva
por
Rodrigue Tremblay [*]
"É
justiça poética que as pessoas que fermentaram esta
mixórdia tóxica porfim acabaram por beber um bocado dela".
Warren
Buffett, investidor americano
"Através
de um contínuo processo de inflação o governo pode
confiscar, secreta e anonimamente, uma parte importante da riqueza dos seus
cidadãos".
John
Maynard Keynes (1883-1946)
"O
novo dinheiro que entra na economia não afecta todos os actores
económicos por igual nem influencia todos os actores e económicos
ao mesmo tempo. O dinheiro recém criado deve entrar na economia num
ponto específico. Geralmente esta injecção
monetária chega através da expansão do crédito pelo
sector bancário. Aqueles que recebem este novo dinheiro em primeiro
lugar beneficiam-se a expensas daqueles que o recebem só depois de ele
ter serpenteado através da economia e de os preços terem tido
oportunidade de ajustar-se".
Friedrich
A. Hayek (1899-1992), economista austríaco
Quando
o presidente do Fed, Ben
Bernanke , diz
que a situação económica está a pior, é
melhor que acredite nele. De facto, os mercados de crédito nos EUA
estão a entrar em colapso debaixo dos nossos olhos, e não se
vê quando isto acabará, muito menos de quando reverterá.
1- Os principais indicadores
económicos
da economia dos EUA estão em queda;
2- O
sentimento de confiança
do consumidor
está em queda quando as retiradas sobre hipotecas estão a secar;
3- Os
números do emprego estão em queda;
4- O
relatório de Janeiro de 2008 sobre a economia de serviços dos EUA indica que a mesma
contraiu-se no princípio do ano pela primeira vez em 58 meses;
5- O
número de novos desempregados ainda é perigosamente elevado;
6- A crise habitacional está a ganhar vapor; os
banco têm de colocar nos seus balanços perdas cada vez mais
elevadas devido às subprimes, minando portanto as suas bases de capital
e conduzindo muitos deles à beira da insolvência;
7- As agências de
classificação de crédito estão sob sítio;
8- Os
títulos de companhias de garantia de seguros estão em vias de
perderem as suas classificações triplo A e algumas estão
à beira da bancarrota;
9- O mercado de títulos
municipais ,
com US$2,6 milhões de milhões (trillion) está prestes a mergulhar,
se e quando os seguradores de títulos não os arrastarem;
10- O mercado corporativo dos
empréstimos alavancados (leveraged) está desbaratado;
11- O
mercado de mais de um milhão de milhões de dólares de hipotecas e títulos
apoiados em dívidas pode entrar em colapso completo se os maiores segurados de
hipotecas estado-unidenses continuarem a sofrer perdas lancinantes;
12-
Grandes hedge
funds
estão a perder dinheiro numa escala elevada e estão a sofrer uma
corrida sobre os seus activos;
13- Nos
EUA, a dívida
total em percentagem do PIB é superior a 300 por cento, um nível récorde
(N.B.: em 1980 era 125 por cento!);
14- E,
finalmente, o mercado à escala mundial de centenas de milhões de
milhões (trillion) de dólares em derivativos poderia implodir a qualquer momento, se
demasiadas instituições financeiras forem abaixo durante os
próximos meses, pois a maior parte destas transacções
são negócios inter-instituição.
Há
uns poucos positivos desgarrados, tal como o facto de que o produto manufactureiro parecer estar a levantar-se
muito bem, pois o dólar desvalorizado estimula as
exportações, mas o quadro económico global permanece
negro. Isto é uma homenagem à capacidade de resistência da
economia dos EUA.
Toda
esta confusão começou no princípio dos anos 2000, e mesmo muito
antes no principio dos anos 1980 quando Fed e a SEC adoptaram uma abordagem de
não tocar nos mercados financeiros, guiados pela nova religião
económica de que "os mercados não podem errar". O que
estamos a testemunhar é o fracasso de aproximadamente trinta anos das
chamadas políticas económicas conservadoras a cavaleiro da
dívida e da desregulamentação.
Deve-se
entender que o recente problema da subprimes começou realmente em 2000, quando a agência
de classificação de crédito Standard & Poors emitiu um
pronunciamento a dizer que o financiamento hipotecário de casas
"montado nas costas" ("piggyback"), quando uma segunda hipoteca
é tomada para pagar a entrada de uma primeira hipoteca, provavelmente
não conduziria a mais incumprimentos do que mais hipotecas
padrão. Isto encorajou instituições de empréstimos
hipotecários a relaxarem as suas práticas de empréstimos,
indo tão longe como emprestar sobre hipotecas com nenhum pagamento
inicial de qualquer espécie, e até mesmo adiar pagamentos de
capital e juros por algum tempo. E com o Fed e a SEC a olharem para o outro
lado, foi dado um passo fatal. Os bancos e as suas subsidiárias
decidiram seguir novas regras tóxicas e arriscadas de
operação bancária.
Na
verdade, apesar de os bancos tradicionalmente tomarem emprestado a curto prazo
e concederem empréstimos a longo, eles deram um novo passo gigantesco:
começaram a transformar empréstimos a longo prazo, tais como
hipotecas, empréstimos para carros, estudantes, etc em empréstimos
a curto prazo. Realmente, eles caíram no negócio do alquimista de
entrouxar juntos empréstimos a prazos relativamente longos dentro de
pacotes que cortaram às fatias dentro de instrumentos de crédito
mais pequenos que tinham todas as características de papel comercial a
curto prazo, mas estavam a carregar rendimentos mais elevados. Eles
então venderam estes novos structured investment vehicles (SIVs), por uma comissão, a toda
espécie de investidores que estavam à procura de rendimentos mais
altos do que as magras taxas que estavam a pagar as alternativas. E, uma vez
que os bancos estavam por trás destes novos activos financeiros, as
agência de créditos deram-lhes uma classificação
AAA, o que permitiu aos fundos de pensão regulados e às companhias
de seguros investirem neles, acreditando que eram tanto seguros como
líquidos. Ficaram prontos para um choque. Quando a bolha
imobiliária explodiu, o valor dos activos reais por trás dos
novos instrumentos financeiros começou a declinar, puxando o tapete para
fora dos asset-backed
paper market (ABCP)
que estavam por baixo, os quais tornaram-se ilíquidos e tóxicos.
Como praticamente não há qualquer comercialização
com os novos instrumentos, ninguém sabia o verdadeiro valor do papel, e
portanto ninguém e estava desejoso de comprá-lo. Esta crise de confiança
agora permeou outros mercados de crédito e está a ameaçar
todo o sistema financeiro à medida que o contágio se propaga.
Ainda
em 2003-04, o então presidente do Fed, Alan Greenspan, não era o
menos preocupado com a bolha da hipoteca imobiliária financiada pela
subprime mas estava ao contrário a encorajar pessoas a sacarem hipotecas
com taxa ajustável, apesar de as taxas de juro estarem numa baixa de
trinta anos e estarem prestes a aumentar. Mesmo no fim de 2006, o recém
nomeado presidente do Fed, Ben Bernanke, manifestou não estar preocupado
com a bolha imobiliária, dizendo que preços elevados eram apenas
um reflexo de uma economia forte. Note bem, isto aconteceu mais de um ano
depois de o mercado imobiliário ter atingido o pico, no Verão de
2005. A história registará que o Fed e a SEC nada fizeram para
prevenir a pirâmide da dívida de atingir os níveis
perigosos a que chegou e que está agora a esmagar a economia.
Num
espaço de tempo mais longo, quando se olha o gráfico fornecido
pelo Bureau of Economic Analysis (BEA) dos EUA que mostra a importância das
dívidas pendentes (corporativas, financeiras, governamentais e mais as pessoais) em
relação à economia, fica-se impressionado pelo facto de
que este rácio permaneceu em torno dos 1,2 do PIB durante
décadas. Então, alguma coisa grande aconteceu no princípio
da década de 1980, e o rácio começou a ascender, apenas
com uma ligeira pausa nos meados da década de 1990, até atingir o
actual nível com falta de ar de 3,1 vezes do PIB, aproximadamente 200
por cento mais do que costumava ser.
A
adopção de cortes fiscais maciços a par com políticas de gastos
deficitários do governo, e políticas de
desregulamentação, por parte de Reagan e subsequentes
administrações republicanas, culminando tudo num modo grotesco
sob a actual administração, contribuiu maciçamente para
esta bolha da
dívida
sem precedentes. Levou muitos anos para construir a pirâmide da
dívida, e levará muitos anos para desfazê-la e reduzir esta
montanha acumulada de dívida a uma dimensão mais administrável.
Este
é o grande quadro por trás desta crise. Ela é muito maior
do que a crise das caixas económicas (S&L) na década de 1980,
a qual parece diminuta em comparação com a actual. Eis porque
penso que esta crise prolongar-se-á pelo menos mais uns poucos anos,
possivelmente até 2010-11.
_______________
22/Fevereiro/2008
[*] Professor
emérito de Teoria Económica na Universidade de Montreal. Autor de
The New
American Empire e de The Code for Global Ethics (ainda não
lançado). Responsável pelo sítio web www.thenewamericanempire.com/ e pelo blog www.thenewamericanempire.com/blog . Contacto: rodrigue.tremblay@yahoo.com
Este
artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
2.
http://www.resistir.info/crise/fed_panic_21set07_p.html
21 setembro 2007
Um pânico do Federal Reserve e uma
operação maciça de salvamento de bancos americanos paga
pelo mundo inteiro
por
Rodrigue Tremblay [*]
"As
loucuras, os pânicos e as quedas das bolsas são consequência
de uma economia que cultiva a cupidez, a conspiração e a
ganância em vez de uma fé devota na Regra de Ouro".
Peter
L. Bernstein, Foreword to Manias, Panics, and Crashes (4th ed.) by C. P.
Kindleberger
"Numa
crise, reduzam os preços e reduzam-nos fortemente".
Walter
Bagehot (1826-1877), economista britânico
"O
papel da Reserva Federal é esconder a taça do ponche logo que a
festa começa a ficar animada".
William
McChesney Martin (1906-1998), Presidente do Fed (1951-1970)
"O
estado da disfuncional política americana não me dá grande
confiança no futuro próximo".
Alan
Greenspan, Presidente do Fed (1987-2006)
A
má gestão do dinheiro e do crédito sempre levou a
explosões financeiras ao longo dos séculos. As causas, curas e
consequências dessas catástrofes financeiras são quase
sempre repetitivas. Com efeito, esses colapsos financeiros são
normalmente resultado da avidez e da ganância desenfreada dos operadores
financeiros e da falta da indispensável supervisão pelas
instituições oficiais que deviam proteger os bens públicos
e comuns. Por exemplo, depois da crise financeira de Outubro/Novembro de 1907
nos Estados Unidos, acabou por ser aceite em 1913 a ideia avançada
inicialmente pelo banqueiro Paul Warburg para instituição de um
sistema bancário da Reserva Federal (Fed) em parte privado e em parte
público. O Fed tornou-se assim o prestamista de último recurso
para os bancos que chegam a uma posição de perda de liquidez. Mas
foi só depois da queda da bolsa de 1929 é que foi fundada a
Security and Exchange Commission (SEC).
Mas
mesmos com instituições e regulamentações
estabelecidas, se elas forem inoperantes, corruptas ou desadaptadas, podem
continuar a ocorrer crises financeiras. E a actual crise financeira aí
está para nos recordar esse facto.
Em 18
de Setembro (2007), o Fed demonstrou algum pânico e anunciou o corte de
meio ponto percentual, mais do que era esperado, na taxa de fundos federais e
na taxa de desconto, isto depois de ter reduzido a taxa de desconto de meio
ponto, em 17 de Agosto, a fim de facilitar que os maiores bancos da
América contraíssem empréstimos e a fim de facilitar uma
operação de salvamento das suas afiliadas e de outros operadores,
tais como os hedge-funds [1] , apanhados pela crise dos empréstimos secundários.
Com esta atitude, o Fed de Bernanke [2] está a seguir o conselho de Bagehot para uma agressiva
redução de preços em situação de crise
financeira. Só que o problema é que a regra de Bahegot exige que
o banco central faça abundantes empréstimos em tempos de escassez
crítica de créditos… mas com uma taxa de juros alta. Ao
emprestar a prestamistas em dificuldade a taxas preferenciais reduzidas, o Fed
está a agir como "governo" deles, isto é, a subsidiar
as suas arriscadas operações de empréstimos e a carregar
de impostos apenas os que possuem dólares americanos. Não
está a tentar apenas torná-los mais "líquidos",
mas também mais "resolúveis" e com menos probabilidades
de falir.
Isto
coloca três questões interessantes. Primeira, quem paga a
operação de salvamento das instituições financeiras
americanas; segunda, quais são as consequências a longo prazo da
maciça operação de salvamento empreendida pelo Fed; e
terceira, porque é que o Fed deixou que a situação
financeira se deteriorasse a um ponto tal que há um sector inteiro da
economia que se está a desmoronar e o seu colapso ameaça toda a
economia.
Em
primeiro lugar, temos que considerar que o dólar americano ainda
continua a ser uma divisa de reserva chave, embora esteja a perder terreno para
o euro, e a maior parte dos bancos centrais ainda continua a mantê-lo em
quantidades enormes nas suas reservas de divisas estrangeiras, tal como
acontece com bancos privados, entidades comerciais e económicas e
pessoas por todo o mundo. Por exemplo, no início de 2007, os bancos
centrais estrangeiros, só por si, detinham cerca de 2 250 milhares de
milhões de reservas em dólares americanos, o que representava
cerca de 66 por cento das suas reservas oficiais totais de divisas
estrangeiras, ao lado de um pouco mais de 25 por cento de reservas em euros.
Como o
dólar está a perder o seu poder de compra, tanto em termos
absolutos como relativos, os bancos centrais e outros investidores estrangeiros
têm vindo a ser "colectados" pela política de pouca
preocupação com o dólar do Fed americano. Em termos reais,
pode medir-se o imposto de seigneurage [3] sobre os possuidores estrangeiros de
dólares calculando a diferença entre a taxa anual da
depreciação do dólar vis-à-vis as principais
divisas convertíveis e a taxa de juro a curto prazo sobre essas
reservas. Por exemplo, se a taxa anual de depreciação do
dólar é de cinco por cento e a taxa a curto prazo do retorno dos
títulos de tesouro americano é de quatro por cento, os bancos
centrais estão a perder cerca de 22,5 mil milhões de
dólares por ano. Como os estrangeiros privados detêm uma
dívida de mais de 2 milhões de milhões de dólares,
a perda líquida anual dos possuidores estrangeiros de dólares
americanos pode atingir facilmente os 50 mil milhões de dólares
por ano. A conclusão é fácil de tirar: Não
só os estrangeiros têm vindo a financiar fortemente os enormes
défices do governo dos EUA nos últimos seis anos, como
estão agora a impor-lhes que ajudem a financiar a generosa
operação de salvamento das instituições financeiras
americanas.
Os
investidores, tanto no estrangeiro como nos EUA, sabem que, para muita gente,
os números oficiais da inflação estão subestimados,
essencialmente porque com isso pretende-se reduzir o peso dado nos indicadores
aos bens e serviços cujos preços aumentam mais rapidamente, mas
também porque os custos da habitação e os preços
das propriedades só são tidos em consideração
parcialmente. Isto pode explicar porque é que as expectativas de
inflação apontam para uma subida, apesar de os números
oficiais da mesma não apresentarem uma subida. Há dinheiro
fácil a mais conforme se viu nos últimos anos aquando da primeira
inflação dos produtos petrolíferos, mas mais tarde ou mais
cedo surge a subida dos preços de todas as mercadorias e dos
preços de todos os bens e serviços. Com a actual queda do
dólar, é de esperar que os americanos venham a pagar mais por uma
série de artigos, tais como o combustível e a
alimentação. Isso traduzir-se-á num padrão de vida
mais baixo.
O
preço do ouro, o preço do petróleo e os preços de
outras mercadorias estão a subir e podem servir de campainhas de alarme
da inflação. O comportamento das taxas de juro a longo prazo que
incorporam expectativas de inflação é também um bom
indicador da futura inflação. Com o Fed a imprimir dinheiro e a
aumentar a disponibilidade de dinheiro a alta escala, como se estivesse a ser
lançado do céu por um helicóptero (daí a alcunha de
"Helicóptero" para Ben Bernanke, presidente do Fed), as taxas
de juro a curto prazo irão cair durante algum tempo, mas as taxas de
juro a longo prazo terão tendência a subir lentamente, a
não ser que se desencadeie uma profunda recessão.
Em
segundo lugar, uma maciça operação de salvamento tal como
o Fed de Bernanke desencadeou coloca a questão do risco moral presente
em qualquer operação desse tipo feita pelo banco central, depois
de não ter conseguido regular devidamente as actividades de risco dos
bancos que supervisiona. Na verdade, ao aceitar acções e obrigações
sustentadas por hipotecas como garantia para gigantescos empréstimos a
prazo mais ou menos longo, empréstimos esses contraídos pelos
bancos e corretores americanos, o Fed está mas é a recompensar as
próprias instituições que agiram de forma extremamente
irresponsável durante os últimos quatro a cinco anos, enquanto
limpa a sua própria imagem por ter fracassado na sua missão
reguladora. A mensagem é muito clara: As instituições
financeiras americanas podem entregar-se à criação de
instrumentos "inovadores" de crédito artificial de alto risco,
atirando os riscos para cima de mutuários e investidores inocentes e
arrecadando comissões e prémios chorudos, e quando as coisas
dão para o torto, como é de esperar, aparece o Fed em seu socorro
e salva-os com empréstimos baratos e prolongados. É uma boa forma
de encorajar descuidadamente qualquer instituição financeira
gananciosa e fora de controlo a fomentar sucessivas crises financeiras
desordenadamente e de forma perturbadora.
Na
verdade, o Fed de Bernanke está agora a livrar da dor das consequências
as instituições financeiras que agiram irresponsavelmente,
algumas delas que agiram mesmo criminosamente, conforme disse Alan Greenspan,
antigo presidente do Fed. É um caso evidente de risco moral.
Se
não forem implementados novos regulamentos ou se não forem postos
em marcha novos regulamentos, uma operação maciça como
esta assegura que as instituições financeiras americanas
vão continuar no futuro a tentar ganhar dólares rápidos criando
capital artificial de risco, sem pesar devidamente os riscos envolvidos para os
pequenos investidores e pequenas poupanças, enquanto que o Fed
assumirá a responsabilidade de desviar as perdas em parte para si
próprio mas principalmente para os possuidores de dólares
americanos. Com efeito, o Fed está a manter em suspenso a disciplina de
mercado a favor dos grandes jogadores financeiros que coloca sob sua
protecção, enquanto deixa que a disciplina de mercado esmague os
pequenos proprietários de habitações e os pequenos
investidores que compraram casas, agora com hipotecas instáveis, ou que
investiram as suas poupanças em títulos de dívida com
garantias fraudulentas e de alto risco (CDO's). É este o resultado
líquido da aplicação parcial da regra de Bagehot.
A
terceira questão é: porque é que o Fed de Greenspan e de
Bernanke não escondeu mais cedo a taça de ponche do dinheiro
fácil e do crédito fácil, quando as coisas
começaram a ficar feias no mercado de hipotecas secundárias
durante o período de 2003-2007. Porque é que parecia paralisado e
nada fez? O antigo presidente do Fed, Alan Greenspan, tem uma
explicação simples e conveniente. Antes de 2003, receou um
início da deflação e foi por isso que o Fed elevou a sua
taxa principal de empréstimo de 1 por cento (de Junho de 2003 a Junho de
2004) apenas pela segunda vez na história. Também afirma que
havia demasiadas "poupanças globais" pelo mundo afora e que
foi isso que fez descer as taxas de juro. Isto é uma
explicação deslavada, porque, se a globalização e
as poupanças globais mantiveram a inflação baixa e as
taxas de juro a prazo baixas, a subida das taxas de juro a curto prazo e o
aumento do fornecimento de moeda estiveram sempre sob o controlo do Fed. O Fed
não tinha obrigação, depois de 2003, de manter as taxas de
juro a curto prazo tão negativas durante tanto tempo. Claro que, como a
administração Bush andava a cortar as taxas dos impostos para
reforçar as perspectivas de reeleição em 2004, e andava a
gastar dinheiro à maluca em guerras travadas em terras distantes, o Fed
devia ter percorrido a via contrária para contrabalançar o
ímpeto fiscal que isso criava para a macro economia. Por outras
palavras, devia ter escondido a taça do ponche. Mas não o fez.
Em
consequência, a dívida hipotecária como percentagem da
renda disponível nos EUA encontra-se ao nível mais alto dos
últimos setenta e cinco anos, atingindo 100 por cento, enquanto que a
dívida de consumo subiu para o nível mais alto da
história. Tudo isto torna a economia mais vulnerável do que nunca
desde a depressão de 1929-39. Outra consequência desta farra de
dinheiro fácil é o frenesi de leveraged buy-outs [4] e a concentração
industrial que temos vindo a observar nos últimos anos.
Por
fim, ponhamos a cereja em cima do bolo. Com efeito, há um trecho muito
inquietante no recente livro de memórias (The Age of Turbulence) do antigo presidente do Fed,
Alan Greenspan, e nas explicações que ele deu em entrevistas
concedidas para divulgação do livro: é a sua
confissão de que, enquanto desempenhou o cargo de presidente do Fed,
incitou activamente o vice-presidente Dick Cheney para um ataque dos EUA ao
Iraque. Se isto aconteceu, foi muito incorrecto que um banqueiro central agisse
desta forma, principalmente quando tinha mais que fazer do que pressionar a
favor de uma guerra ilegal. Quer isto dizer que Greenspan foi um membro activo
do grupo de pressão pró Israel no interior do governo dos EUA e
se juntou à quadrilha de Wolfowitz-Feith-Abrams-Perle-Kissinger?
Parece-me que uma atitude destas devia ser objecto de
investigação.
Na
verdade, até que ponto é que o grupo de pressão pró
Israel foi responsável pela guerra do Iraque e pelos défices que
ela gerou? Já existem neste momento sondagens que indicam que 40 por
cento dos eleitores americanos acreditam que o grupo de pressão
pró Israel foi um factor chave na entrada da guerra com o Iraque e que o
mesmo está de novo muito activo na promoção de uma nova
guerra contra o Irão. Este número tende a aumentar à
medida que cada vez há mais pessoas a perceber os factos que estão
por detrás desta guerra tão desastrosa e mal concebida. Com
efeito, quantas guerras é que este grupo pode engendrar antes de ser
detido? E até que ponto o turbilhão financeiro nos EUA e nos
mercados mundiais pode vir a ser relacionado com a influência deste grupo
tão corrosivo?
21/Setembro/2007
__________________________________
Notas
(1)
hedge-funds – fundos que investem no comércio a prazo de
mercadorias visando diminuir os riscos e reduzir os prejuízos (N.T.)
(2)
Bernanke – Ben Shalom Bernanke é um economista, presidente do
Conselho de Governadores da Reserva Federal dos Estados Unidos (N.T.)
(3)
seigneurage – receita líquida decorrente da emissão de
divisas. É uma importante fonte de receita para os bancos nacionais
(N.T.)
(4)
leveraged buy-out – aquisição da totalidade ou da maioria
das acções de uma empresa com recurso a capitais de
empréstimo (N.T.)
_____________________________________________
[*]
Economista canadiano, colaborador frequente de Global Research, autor de The
New American Empire . O seu
próximo livro intitula-se "The Code for Global Ethics".
O seu blog: www.thenewamericanempire.com/blog
O
original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=6832 .
Tradução
de Margarida Ferreira.
Este
artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
25/Set/07
Postado por
gilberto tedeia às Quarta-feira, Setembro 26, 2007
1.
http://altermundo.org/portal/content/view/285/65/lang,gl_ES/
29-09-2006
[Online Journal. Traducido do inglés para Rebelión por Sinfo
Fernández. Ao galego por altermundo.org]
Os cinco alicerces do complexo industrial
militar dos Estados Unidos.
“Pódense atopar sistemas militares desmesurados en
calquera modalidade de goberno que manteña actitudes de rexeitamento
ante a liberdade, e que son considerados particularmente hostís ante a
liberdade republicana”
George Washington (1732-1799). Primeiro presidente estadounidense.
“[A] conxunción dun sistema militar inmenso e
dunha gran industria armamentística é algo novo na experiencia
estadounidense… Nos consellos de goberno, debemos gardarnos ben de que o
complexo industrial militar chegue a ter unha influencia inxustificábel,
sexa ou non alentada. Hai potencial, e seguirá habéndoo, para que
se produza ese desastroso aumento de poder de xeito evidente inapropiado.”
Dwight D. Eisenhower
(1890-1969), 34º presidente, discurso de despedida, 17 de xaneiro de 1961.
“Que o noso país vaia agora cara a un modelo de
economía baseada nas armas é parte do modelo xeral dunha
política desacertada, alimentado con axuda dunha psicosis, inducida
artificialmente, de histeria de guerra e nutrida a partir dunha propaganda
incesante ao redor do medo.”
Xeral Douglas MacArthur, discurso do 15 de maio de 1951.
Na década dos anos vinte do pasado
século, o Presidente Calvin Coolidge dixo: “O negocio de EUA
consiste en facer negocios”. Na actualidade, pode dicirse que a industria
de armas e a guerra permanente convertéronse nunha gran parte do negocio
estadounidense, conformándose como unha especie de filial dun complexo
industrial militar ben arraigado. Anteriores homes estadounidenses con
visión de alcance fixeron advertencias contra esta deriva, homes como o
Presidente George Washington e o Presidente Dwight Eisenhower, ao ser
intrinsicamente contraposta á democracia e á liberdade. Con todo,
á actual administración Bush-Cheney non lle asustan esas
tendencias; os seus principais membros son parte delas e, precisamente,
están moi ocupados promocionándoas.
As
guerras, especialmente as guerras electrónicas modernas, provocan uns
masacres terríbeis, pero son tamén sinónimo de grandes
contratos que supoñen custes altísimos, grandes beneficios e grandes
posibilidades de emprego para todos aqueles que conforman o necesario engranaxe
militar. As guerras son o paraíso dos preeiros.
As
guerras son tamén unha vía para que políticos mediocres
monopolicen as novas e os medios de comunicación no seu favor de xeiro
partisano avivando o fervor patriótico e presionando por un nacionalismo
de vía estreita. Efectivamente, inflamar o patriotismo e o nacionalismo
é un vello truco demagógico que se utilizou sempre para dominar
as nacións. Cando iso sucede, hai un claro risco de que a democracia e a
liberdade se erosionen, e ata que desaparezan se eses desenvolvementos conducen
a unha concentración exacerbada de poder e de corrupción
política.
Os
ataques terroristas do 11-S de 2001 supuxeron unha bonanza para o complexo
industrial militar estadounidense. Foi un acontecemento, un “Novo Pearl
Harbor”, polo que algúns estiveran esperando. A razón? Eses
ataques deron o pretexto perfecto para desenvolver gastos militares, que se
anhelaban logo da desaparición do antigo Imperio Soviético. E,
ademais, proporcionaron o fundamento para aumentalos de xeito espectacular,
substituíndo unha “Guerra contra o Terrorismo” por unha
“Guerra contra os Islamistas” como substituta da “Guerra
contra o Comunismo” e a “Guerra Fría contra a Unión
Soviética”. Nesta nova perspectiva, as portas do gasto militar
podían abrirse e este fluír de novo. O desenvolvemento do cada
vez máis sofisticado armamento podería continuar e miles de
corporacións e centos de distritos políticos poderían
seguir levándose os beneficios. Os custes serían asumidos polos
contrinuíntes, polos homes e mulleres novas que morrerían en
combate e polas remotas poboacións que xacerían baixo a choiva de
bombas que caerían sobre eles e os seus fogares.
Efectivamente,
en setembro de 2000, cando o Pentágono emitiu o seu famoso documento
estratéxico titulado “Reconstruíndo as Defensas dos
EUA”, expresábase a crenza en que o tipo de transformación
militar que os planificadores estaban a considerar requeriría
dalgún “suceso catastrófico e catalizador”, como un
novo Pearl Harbor, para que fora posíbel venderlle o plan ao pobo
estadounidense. Foron ou intuitivos ou afortunados porque, un ano máis
tarde, xa tiñan o “Novo Pearl Harbor” polo que devecían.
O
complexo industrial militar necesita guerras, moitas e sucesivas guerras, para
prosperar. O equipamiento militar vello ten que ser reparado e reemplazado cada
determinado tempo se hai unha guerra en marcha. Pero para xustificar o enorme
custe que supón ter que desenvolver armas cada vez máis
mortíferas, necesítase que haxa un clima constante de temor e
vulnerabilidade. Por exemplo, hai moitos informes, elaborados por observadores
internacionais e persoal médico, no senso de que os ataques
israelís contra o Líbano e Gaza durante o verán de 2006
facilitaron o uso de “novas armas feitas nos EUA”. Informouse que
esas armas incluían bombas de uranio empobrecido, armas de
“enerxía directa” e armas novas químicas e
biolóxicas. Estas armas non só logran que o acto de matar sexa
máis doado, senón que tamén deixarán contaminado o
medio ambiente con partículas de uranio empobrecido radioactivo durante
as próximas décadas.
Pero,
para construír un pacto suficientemente forte como para levar a un
país democrático polo carreiro dunha permanente economía
de guerra, necesítase unha alianza de intereses entre militaristas,
industriais, políticos, aduladores e propagandistas. Estes son os cinco
alicerces do complexo industrial militar que poden atoparse nos Estados Unidos.
1. O
sistema militar estadounidense
En
1991, ao final da Guerra Fría, o orzamento de defensa dos EUA era de
298.900 millóns de dólares. En 2006, ese orzamento medrara ata
acadar a cifra de 447.400 millóns de dólares, e esa cifra non
incluía os 100.000 millóns de máis gastados nas guerras de
Iraq e Afganistán. Estimouse que os gastos militares estadounidenses,
sen necesidade de esaxerar, achéganse á metade dos desembolsos
militares mundiais (48% do total mundial en 2005, segundo cifras oficiais),
malia que a poboación estadounidense representa menos do 5% da
poboación mundial e ao redor do 25% da produción mundial total.
Como porcentaxe, os gastos militares estadounidenses comen un mínimo do
21% do orzamento federal total estadounidense (2006=2.500 billóns de dólares).
Un orzamento militar tal é maior que o productor interior bruto (PIB)
dalgúns países, como Bélxica ou Suecia. É unha
especie de goberno dentro doutro goberno.
En
2006, o Departamento de Defensa dos EUA empregou a 2.143.000 persoas, mentres
que os contratistas de defensa privada empregan a 3.600.000 traballadores, o
que supón un total de 5.743.000 postos de traballo nos EUA relacionados
co sector da defensa, ou o 3,8% do total da forza laboral. Ademais, hai case 25
millóns de veteranos nos EUA. Xa que logo, pódese dicir que
máis de 30 millóns de estadounidenses reciben cheques que
teñen a súa orixe directa ou indirectamente no orzamento militar
do estado. Supoñendo con cautela que só dúas persoas
maiores de idade votan por fogar, isto tradúcese nun bloque duns 60
millóns de votantes estadounidenses que teñen intereses
financeiros no sistema militar estadounidense. Así pois,
atopámosnos co perigo dunha sociedade militarizada que se
perpetúa a si mesma politicamente.
2.
Os contratistas da defensa privada
Os
cinco contratistas máis importantes da Defensa estadounidense son
Lockheed Martin, Boeing, Northrop Grumman, Raytheon e General Dynamics. Van
seguidos de Honeywell, Halliburton, BAE System e miles de
compañías e subcontratas de defensa máis pequenas.
Algunhas, como Lockeheed Martin en Bethesda (Maryland) e Raytheon en Waltham
(Massachussets) obteñen preto do 100% dos seus negocios dos contratos de
defensa. Outras, como Honeywell en Morristown (Nova Jersey), teñen
importantes divisións de produtos de consumo. Con todo, todas están
preparadas para sacar proveito en canto os gastos de subministros de armas
medran. De feito, os contratistas de defensa estadounidenses estiveron gozando
dos grandes orzamentos do Pentágono dende marzo de 2003, i.e., dende o
comezo da guerra de Iraq. Como consecuencia, contabilizaron aumentos
considerábeis nos rendementos totais das súas accións,
indo dende o 68% (Northrop Grumman) ata o 164% (General Dynamics) dende marzo
de 2006 a setembro de 2006.
Tamén
se sinalou que os contratistas da defensa privada xogan outro papel social: son
grandes empregadores de antigos xenerais e antigos almirantes do sistema
militar estadounidense.
3. O
sistema político
Nos
EUA, o Presidente George W. Bush, un antigo petroleiro, e o Vicepresidente Dick
Cheney, como antigo presidente e director executivo da gran
compañía de servizos petrolíferos Halliburton, en Houston
(Texas), personifican a imaxe de políticos consagrados ao crecemento e
desenvolvemento do complexo industrial militar. A súa
administración estendeu o sistema militar e adoptou unha política
exterior militarista a unha escala nunca vista dende a fin da Guerra
Fría e ata dende a fin da II Guerra Mundial. Efectivamente, baixo a
administración Bush-Cheney, a industria armamentística volveuse
extremadamente rendíbel. Contratos por miles de millóns de
dólares van a toda marcha vendendo avións e tanques a diversos
países nun mundo que evoluciona cada vez máis de costas ao
dereito. Case as dúas terceiras partes de todas as armas exportadas no
mundo saen de Norteamérica.
O
Congreso, pola súa banda, está en débeda coas
corporacións de defensa que operan nas plantas militares existentes
é cada un dos distritos dos congresistas ou nos estados dos senadores,
ademais de certas gratitudes aos lobbys que lles proporcionan fondos e apoios
nos medios en épocas electorais.
4.
Os “think tanks” do sistema
Os
asesores e os aduladores que se achan detrás da economía
orientada cara a guerra forman un rede entrelazada dos chamados “think
tanks” con sé en Washington, financiados por ricas
fundacións que están exentas de impostos e que teñen miles
de millóns de dólares de activos, como, por exemplo, a
Fundación John M. Olin, a Fundación Scaife ou a Fundación
Coors, etc… Entre os “think tanks” máis
influíntes e representativos, cuxa misión é orientar a
política exterior estadounidense, atópase o American Enterprise
Institute (AEI), a Heritage Fundation, o Middle East Media Research Institute,
o neoconservador Washington Institute for Near Eastern Policy, o Center for Security
Policy, o Jewish Institute for National Security Affaire, o Project for the New
American Century (PNAC) e o Hudson Institute. Todos eses “think
tanks” serven para un dobre obxectivo: proporcionan funcionarios
gobernamentais para realizar informes políticos sobre diversos temas,
normalmente cunha visión moi conservadora; e serven como incubadoras dos
departamentos gobernamentais, fornecéndolles persoal que xa foi formado
e proporcionando postos de traballo para funcionarios que están
fóra do poder.
Obsérvase
que a mesma porta xiratoria que existe entre o sistema militar e os
contratistas de defensa, tamén se move entre os “think tank”
con sé en Washington e os departamentos do goberno dos EUA.
5. O
establishment da “propaganda”
Os
propagandistas da economía a favor da guerra pódense atopar
máis ca nada na dereitista industria dos medios de comunicación
estadounidenses. Isto débese a que a venda de políticas
orientadas cara á guerra require a pericia que só unha ben
engrasada máquina de propaganda pode proporcionar. A ferramenta
propagandística máis potente é a televisión.
Aí a Rede Fox de Novas de Rupert Murdoch é invencíbel. Non
hai un medio de comunicación estadounidense máis abertamente
devoto da ideoloxía neocon e máis comprometido no apoio das novas
guerras estadounidenses que a Fox News. A CNN ou a MSNBC poden intentar algunhas veces emulala,
pero o seu profesionalismo impídelles achegarse de máis a Fox
News, que
está demasiado predisposta a favor da guerra e promove sen pudor
algún a dominación global dos EUA. Os esforzos de propaganda da
Fox están estreitamente coordinados con outro medio escrito propiedade
de Murdoch, como é o Weekly Standard e o New York Post. O Washington Times, que
está controlado polo Reverendo da Igrexa da Unificación Sun Myung
Moon, o neoconservador New York Sun e outras publicacións neocon,
como o National Review, The New Republic, The American Spectator, The Wall
Street Journal,
completan a infraestrutura máis importante de propagandistas a favor da
guerra.
En conclusión, esa conxunción de cinco
maquinarias para a guerra, i.e., o inflado establishment militar, a gran
industria armamentística estadounidense, a administración neocon
favorábel ás guerras, co Congreso de xeonllos ante os lobbys
militaristas, a rede de “think tanks” favorábeis á
guerra e os belicosos propagandistas dos medios constitúen o marco do
complexo industrial militar, do que o Presidente Dwight Eisenhower, en 1961,
hai 45 anos, xa temía sabiamente que puidese exercer unha influencia
corrosiva sobre a sociedade estadounidense.
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*Rodrigue Tremblay é profesor emérito de
economía no Universidade de Montreal. rodrigue.tremblay@yahoo.com
É autor do libro The New American Empire.
O seu blog: www.thenewamericanempire.com/blog